O que considerar antes de entregar seu guarda-roupa para a IA decidir o que você deve usar.
Se você já assistiu ao filme “As Patricinhas de Beverly Hills” (Clueless – 1995) provavelmente se viu desejando o guarda-roupa digital da Cher, onde ela testa combinações na tela antes de provar no corpo.
E sim, hoje esse tipo de armário inteligente já existe e aplicativos como o Whering e o Acloset estão em crescente no mercado de moda e imagem pessoal.
Ambos trabalham com a máxima de compor looks com as roupas que você já tem no guarda-roupa e entregam ao usuário uma estatística de uso das peças, mas será que vale a pena substituir o seu senso de estilo pelo que o algoritmo julga ser legal de usar?
Reprodução: Paramount Pictures - Clueless (1995).
tecnologia como ferramenta
No exemplo do closet da Cher, a tecnologia usada é bem diferente da de hoje. No filme, vemos a personagem selecionando as próprias roupas e testando combinações com as peças que aparecem na tela.
Isso é bem diferente de jogar um prompt para a IA pedindo que componha um look para você, já que você coloca todo o poder de decisão nas “mãos” do algoritmo daquela inteligência artificial.
Eu entendo que isso é sim um apelo e pareça ser vantagem quando não se tem muito tempo para se vestir de manhã, mas se você terceiriza uma tarefa tão simples como compor seu look do dia, como é que vai conseguir desenvolver seu estilo pessoal de verdade?
estilo é prática
Já falei por aqui sobre como estilo pessoal é uma construção narrativa que te acompanha ao longo dos anos, que vai desde seus momentos de formação na infância e adolescência e te acompanhando conforme você vive novas experiências.
O negócio é que, até hoje, não existe uma IA que seja capaz de colocar em um look a representação de tudo isso.
Os algoritmos podem ser treinados para compor visuais pensando em formato do corpo, combinação de cores e estampas, mas dificilmente vai conseguir colocar em prática a sua evolução de gosto e estilo.
E, pior ainda, se você não exercitar este lado, com o tempo vai se frustrar e voltar àquela vibe de “não tenho o que vestir”, já que receber as mesmas sugestões o tempo todo fica cansativo.
Eu não quero te desencorajar a usar aplicativos que facilitem sua vida, longe disso. O que eu quero mesmo é te incentivar a tomar as próprias decisões quando for se vestir de manhã, fazendo uma análise do que você quer usar, como quer usar e o porquê quer usar.
Aposte nos closets digitais inteligentes como um facilitador, levando em consideração suas sugestões, mas sempre exercitando o seu pensamento crítico para escolher o que realmente faz sentido vestir.
Evite ao máximo replicar tudo o que a IA te entrega (vale para looks, textos e imagens) e use o seu filtro pessoal para avaliar sempre como aquela produção pode se encaixar melhor no seu desejo de imagem.
para divas que querem mais
Geralmente finalizo meus textos te convidando a conhecer o serviço Mapeamento de Estilo, mas hoje quero fazer algo diferente e te propor um desafio.
Separe:
Cinco partes de baixo (calças, saias e shorts);
Cinco partes de cima (blusas, camisetas, camisas);
Cinco acessórios de seu gosto (brincos, colares, anéis, pulseiras, relógios);
Duas bolsas de cores diferentes;
Três sapatos de cores diferentes.
Aqui, a ideia é combinar cada uma das cinco partes de cima com uma das partes de baixo, variando os acessórios, bolsas, sapatos e, caso você queira deixar as coisas mais interessantes, trazendo também terceiras peças (casacos, jaquetas, blazers, coletes).
Este é um exercício supersimples e que te ajuda muito a ver o que você tem no guarda-roupa enquanto exercita sua criatividade. Pontinho extra para quem quiser checar a própria pasta de referências no Pinterest!
Eu te garanto que, depois disso, você vai enxergar seu guarda-roupa de uma forma completamente diferente, percebendo o potencial que tem ali e aprendendo a fazer escolhas que fazem sentido para o desenvolvimento do seu estilo!
Ah, e me manda foto dos seus looks na DM do Instagram que eu quero muito ver suas produções!

