quem tem medo do poliéster?

Pontos que você precisa considerar antes de formar sua opinião sobre um dos materiais mais polêmicos dos últimos tempos.

 

Nos últimos anos, com a propagação da informação sobre fibras de tecidos (inclusive por mim), falamos cada vez mais sobre o poliéster, fibra proveniente do petróleo e que se faz presente na composição dos tecidos que usamos atualmente.

A discussão começa quando falamos que poliéster é uma fibra ruim e que fibras naturais, como o algodão e o linho, por exemplo, são melhores. Que fibras naturais são melhores é fato, mas a verdade é que o poliéster também pode ser muito útil.

O ponto não é defender o uso de plástico no seu guarda-roupas, mas sim trazer clareza para que você saiba discernir quando escolher cada tipo de material.

 
 

a invenção do poliéster

A fibra de poliéster surgiu por volta da metade dos anos 1930, quando um empregado da empresa DuPont, chamado W.H. Carothers descobriu que podia misturar ácidos carboxílicos e álcool. Essa primeira mistura foi, no entanto, deixada de lado para que o desenvolvimento do Nylon pudesse acontecer, sendo retomada anos depois pelos cientistas britânicos W.K. Birtwhistle e C.G. Ritchie.

Em 1941, Birtwhistle e Ritchie conseguiram fabricar a primeira fibra de poliéster como conhecemos hoje, nomeando-a Tyrelene (também conhecida como tereftalato de polietileno). Anos depois, em 1946, a DuPont comprou os direitos do material, desenvolvendo sua própria fibra chamada Dacron.

A popularidade do material se deu, principalmente, pela sua durabilidade e baixo custo de produção, sendo até hoje um dos materiais mais usados nas roupas em redes de fast fashion.

Falando em durabilidade, tecnicamente poliéster pode ser visto como um material “sustentável”, já que demora muitos anos até se deteriorar e pode ser reciclado, ainda que poucas vezes. Dito isso, sua produção depende da extração do petróleo, seguida pela produção dos polímeros (bolinhas plásticas pequenas) e, daí sim, a produção da fibra de poliéster, o que faz com que não seja lá tão sustentável assim.

Com a tecnologia disponível atualmente, é possível traduzir a fibra do poliéster em diferentes tecidos, indo desde cetins com aspecto de seda, passando pelo couro fake com o poliuretano, e indo até malhas tão felpudas que parecem feitas de lã.

 
 

poliéster caro é absurdo?

A indignação do público acontece quando se deparam com tecidos feitos com poliéster mais caros. E é coerente, já que um dos motivos pelos quais as confecções optam pelo poliéster é o custo mais baixo.

Entretanto, assim como existem graus de qualidade do algodão, linho e seda, existem graus de qualidade de poliéster, sendo refletidos, principalmente, no tratamento da fibra e design escolhido para aplicar o material.

Uma calça de alfaiataria com poliéster na composição comprada na Misci, por exemplo, terá um corte e acabamento superior a uma calça de alfaiataria com poliéster na composição comprada na Zara.

Isso vale para um vestido com poliéster na composição comprado na Mirror Palais, que conta com um desenvolvimento criativo do zero e um trabalho muito específico com a fibra. Qualidade essa que dificilmente você irá acessar em um modelo replicado pela Shein.

Então sim, você pode e deve se indignar quando uma peça de poliéster parecer cara demais e tiver uma qualidade, design e acabamentos suspeitos. Porém isso não tira o crédito de marcas que optam por trabalhar com um poliéster que tem mais qualidade e tenha um design pensado para durar mais do que apenas a tendência da semana.

 

poliéster x fibras naturais

Uma peça de roupa em poliéster jamais será melhor do que uma peça de fibra natural no verão brasileiro, isso é um fato. No entanto, na hora de comprar casacos, o poliéster dá de dez a zero no algodão, em especial quando se trata de uma peça impermeável.

Além disso, casacos em poliéster ajudam a reter o calor do corpo, sendo excelentes na hora de construir camadas internas com peças de roupa em lã ou algodão.

Dito isso, a fibra de poliéster pode ser uma vilã na hora de compor um look de verão, já que, por reter calor, não possibilita a respiração da sua pele, fazendo com que você sue mais e cause desconforto.

 

Caso você queira uma ajudinha extra para escolher as fibras presentes nas suas roupas, clique no botão abaixo e descubra o serviço

Mapeamento de Estilo!

você pode clicar aqui e aqui para ler os artigos usados como fonte para a construção deste artigo.

Tay Fernandes

Tay Fernandes nasceu e cresceu em São Paulo, SP e desde muito nova já pensava em trabalhar com moda. Especialista em Coloração Pessoal e Consultoria de Imagem Masculina e Feminina, hoje foca em um atendimento em que se mesclam as tendências do momento somadas a personalidade de cada cliente, construindo cada projeto de estilo do zero e personalizando-os de acordo com a necessidade apresentada por cada indivíduo.

https://thestylemapper.com
Next
Next

como tirar meu guarda-roupas dos sonhos do papel?