estilo pessoal & inteligência artificial

Quatro pontos que você deveria considerar antes de construir seu estilo baseado em dicas de IA.

 

Eu concordo completamente que a inteligência artificial é um excelente auxiliar na hora de se organizar e planejar mudanças, no entanto, quando se trata de alguns pontos ligados a criatividade e personalização de algo, minha opinião é a de que a IA acaba atrapalhando muito mais do que ajudando. Neste artigo quero falar contigo sobre o que você precisa considerar ao usar IA para construção do seu guarda-roupas, desenvolvimento do seu estilo pessoal e comunicação de imagem. Vamos lá?

 
 

guarda-roupa genérico & a estética de ia

Se você já teve contato com uma inteligência artificial generativa como o Chat GPT ou o Gemini, sabe reconhecer sua comunicação escrita e as imagens em ultra HD geradas por elas. Podemos considerar isso a “estética de IA”, ou seja, um padrão seguido por essas inteligências artificiais que acabam construindo narrativas semelhantes e sem características marcantes ou individuais.

No artigo anterior eu comentei sobre como seu estilo pessoal é construído a partir das experiências que você teve ao longo da vida e, no primeiro parágrafo deste texto, falei que criatividade e personalização acabam conflitando com o que é gerado pela IA

Meu ponto é que, embora seja de grande ajuda ter um lugar para começar sua estratégia de estilo, uma inteligência artificial dificilmente conseguirá refletir sobre os aspectos sociais necessários para construir um guarda-roupa ou gerar looks que façam sentido não só para a imagem que você quer projetar, mas para a rotina que você leva no dia a dia.

Pense comigo: as informações que uma IA tem sobre um guarda-roupa profissional é o genérico “blazer e calça de alfaiataria”, já que aprendeu assim com inúmeros artigos pensados em ajudar a todos. E, como dizia sua mãe, “você não é todo mundo” e seu guarda-roupa precisa refletir isso.

Estilo pessoal precisa ser pessoal para ser seu. Moldar seu estilo em cima de conselhos do Chat GPT é o mesmo que seguir à risca o estilo de uma pessoa desconhecida e que tem uma vida completamente diferente da sua.

Uma pessoa que trabalha de casa tem uma rotina diferente de quem gasta duas horas no transporte público para chegar até o escritório, que tem uma rotina diferente de quem viaja apenas vinte minutos em seu carro elétrico e climatizado para o trabalho.

Sem as informações necessárias para se considerar, uma IA entrega o mesmo resultado para essas três pessoas. Isso significa falta de personalização e a humanidade que faz com que seu estilo seja só seu.

 
 

dependência do algoritmo

A palavra algoritmo refere-se a uma sequência de instruções lógicas, finitas e bem definidas, idealizadas para um fim específico. No caso das redes sociais como o Pinterest e Tiktok, o algoritmo é treinado para recomendar conteúdos que você já interagiu e gostou, sendo mais assertivo e promovendo o sentimento de identificação com aquilo que você está vendo.

As inteligências artificiais funcionam de maneira parecida, mas trabalham para te entregar a média do que é consumido e não necessariamente o que você gosta de fato. Para isso, você precisaria treinar sua própria IA para reconhecer padrões do que você gosta e não gosta de usar.

E sim, parece um sonho. Mas o que acontece quando você deixa de gostar de uma peça de roupa ou quando uma mudança na sua vida faz com que aquela peça já não seja funcional? Você precisaria treinar sua IA novamente para reconhecer novos padrões, repetindo o ciclo a cada mudança, por menor que ela seja.

De todo modo, você fica dependendo de um algoritmo para fazer escolhas por você, se prendendo a roupas, acessórios, estilos e estéticas que podem ter deixado de fazer sentido para o que você precisa, gerando frustração e caindo no limbo de “não tenho nada para vestir”.

 

um exercício de criatividade

Dias atrás ouvi a frase que me inspirou a escrever este artigo:

"As soon as something is data, it is no longer taste."
— Charlie Cohen on learning that the cover of Charlie XcX’s album Brat was made on Figma and was an export error. June 2026

Traduzindo, temos: “assim que algo se torna um dado, deixa de ser gosto”. E isso reflete o que disse no segundo tópico perfeitamente. Todas as experiências que te levaram a formar uma opinião sobre um estilo, roupa ou acessório, estética ou styling, passa a ser um algoritmo, uma fórmula pronta e que não irá considera o todo para construir seu estilo, apenas informações soltas e que fazem sentido dentro de uma equação que não precisa ser relevante na vida real.

Se você quer ter um estilo só seu, sabendo exatamente os “tijolos” que pavimentaram cada escolha baseado no que você já viveu, precisa se rebelar e tratar da construção da sua imagem como um exercício de criatividade.

Em algum momento da sua vida você precisou personalizar um personagem, sejam suas Barbies na infância ou em jogos de vídeo game. Agora, na vida adulta, você pode se considerar um personagem a ser personalizado também, construindo seus looks baseados no seu humor, gosto musical, filme que acabou de ver e te inspirou...

O negócio é não se deixar cair na rotina e muito menos em algoritmos que minimizam sua criatividade a um prompt. O mais legal em desenvolver seu estilo é poder fazer as escolhas que se encaixam com a vida que você leva ou planeja levar, ajustando e adaptando o seu guarda-roupa conforme você julga necessário.

 
 

inteligência artificial como uma assistente

Como mencionei no comecinho do artigo, não sou contra usar IA. Inclusive, sou a favor do uso dessas ferramentas como assistentes.

A ideia não é ter algo ou alguém para te dizer o que fazer ou vestir, isso não fazemos nem na consultoria de imagem. O ponto é ter orientações de acordo com o que você já gosta para facilitarem sua rotina.

Evite usar IA para planejar seu estilo ou seu look do dia. Ao invés disso, use-a para organizar seus looks da semana com base nas peças que você não tem usado com tanta frequência, melhores opções dependendo do clima da semana, ou até mesmo ideias de looks por ocasião, por exemplo.

Essa é uma maneira mais eficiente de se usar essas ferramentas sem que haja interferência no desenvolvimento do seu estilo e na sua criatividade à longo prazo.

 

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Tay Fernandes

Tay Fernandes nasceu e cresceu em São Paulo, SP e desde muito nova já pensava em trabalhar com moda. Especialista em Coloração Pessoal e Consultoria de Imagem Masculina e Feminina, hoje foca em um atendimento em que se mesclam as tendências do momento somadas a personalidade de cada cliente, construindo cada projeto de estilo do zero e personalizando-os de acordo com a necessidade apresentada por cada indivíduo.

https://thestylemapper.com
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